sábado, 30 de outubro de 2010

Segundo a interpretação alheia...

E este blog, que após tanto tempo sem uma contribuição para novos conteúdos da minha parte ressurge de forma estranha, me permitindo ser um pouco Martha Medeiros ao expor um pouco da minha indignação com fatos tão pessoais...

Nesse último mês vivenciei algumas conversas que mais me pareceram um paredão de fuzilamento do que exatamente conversas...

Incrível a capacidade das pessoas em nos interpretar da maneira como é mais conveniente, e mais incrível ainda como conseguem agir sem simplesmente posicionar o porquê de atuações rudes conosco...

Lembro de uma situação até bastante boba da minha adolescência, mas que tem tudo a ver com troca de informações deficitárias...

Estava sentada ao lado de um amigo meu na sala de aula qd decidi deixar um recado no que seria o seu fichário preto...

Infelizmente ao invés de colocar o nome dele antes de escrever "Te adoro muito! Anote aí meu tel...Beijos, Vanessinha", somente deixei essa mensagem, que não espantaria nenhum amigo.
Porém, após uns 6 meses, estava eu conversando com uma amiga sobre um cara insuportável da escola, que se achava o mais gato, o mais gostoso e blabláblá quando a mesma me disse, com tom de ironia " Vanessinha, não mete essa, já soube q vc se declarou pra ele por fichário...Vc escreveu que adorava ele e tal, ele inclusive me mostrou e era sua letra mesmo...Nunca esperei isso de vc..."

Ao ouvir essa frase, fiquei uns segundos tentando entender a história e daí sim, após uma longa retrospectiva mental, me lembrei q no dia em q escrevi no fichário do meu amigo Thiago o tal do garoto metido estava sentado próximo a ele e que possuía um fichário idêntico (sabe aqueles pequenos da União? acho q nem existem mais...) Logicamente o q deve ter acontecido foi uma infeliz troca de fichários....

O que mais me chocou foi que se passaram SEIS MESES, com esse retardado falando sobre isso sempre q possível e NENHUM dos meus amigos veio me perguntar o q houve...

Quando fui questioná-los, todos foram unânimes em dizer q não queriam se meter, afinal se eu estava a fim do cara era meu direito, ué...
Lembro da minha indignação ao falar com eles, tentando entender como não desconfiaram q isso poderia ser um engano e ninguém nem esboçou reação..
Que o imbecil continuasse achando que eu tinha feito pra ele td bem...Mas os meus amigos...Foi demais...

Aprendi com essa situação 2 coisas: jamais escreva um bilhete sem posicionar a quem se refere de forma clara e que as pessoas sempre podem pensar o pior de nós, mesmo sabendo que a atitude seria incabível pelos atos anteriormente apresentados.

Na verdade, acho que só aprendi a primeira, pois acabo de passar por 2 situações bastante similares. Infelizmente, com o passar do tempo, as questões vão deixando de ser pueris para se tornarem graves. Espero sinceramente que esteja eu interpretando de forma errada, e que haja uma nova perspectiva...

No mais, com essa história pessoal espero que cada um que possa ler esse momento de incômodo, possa refletir sobre suas próprias interpretações acerca do mundo do outro e ser menos cruel na maneira de agir com que se conhece e se confia.

Termino com uma pequena frase atribuída a Rene Descartes:

"Hoje, não poderia conceder demais à minha desconfiança, visto que, agora, não é tempo de agir, mas apenas de meditar e de conhecer."

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